Geistes Phänomen
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| Séraphine de Senlis - Fleurs et fruits (1920), Paris, musée Maillol |
"Segundo a minha concepção – que só deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema –, tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas também, precisamente, como sujeito. Ao mesmo tempo, deve-se observar que a substancialidade inclui em si não só o universal ou a imediates do saber mesmo, mas também aquela imediates que é o ser, ou a imediates para o saber. [...] A substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou – o que significa o mesmo – que é na verdade efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-si-mesmo, ou a mediação consigo mesmo do tornar-se outro.
Como sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. Só essa igualdade reinstaurando-se, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim."
"A opinião pública merece, pois, ser respeitada mas também desprezada — desprezada pela sua consciência e expressão concretas, e respeitada pela sua base essencial, que só aparece nessa consciência concreta de um modo mais ou menos obscuro. Uma vez que não possui nenhum critério de diferenciação e carece da capacidade de elevar a sua própria substância ao nível de um determinado conhecimento, a primeira condição formal para se alcançar qualquer coisa de grande ou racional, seja na vida, seja na ciência, é ser-se independente da opinião pública. Um grande feito, por sua vez, irá posteriormente ser aceite, reconhecido e adoptado pela opinião pública como um dos seus preconceitos.
Na opinião pública estão presentes todos os tipos de falsidade e de verdade, mas é prerrogativa do grande homem descobrir nela a verdade. O grande homem de uma época é aquele que consegue traduzir em palavras a vontade da época, revelar-lhe essa vontade e realizá-la. O que ele faz é ir à essência e ao âmago da época e conferir-lhe realidade. Aquele que não tem bom senso suficiente para desprezar a opinião pública que se ocupa de futilidades nunca fará nada de grande."
Fenomenologia do Espírito - G. W. Friedrich Hegel (1807)

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