Coronation
O Ocidente acreditou na sua própria "propaganda" que dizia que, quando ficasse rica, a China tornar-se-ia uma democracia. Não percebeu uma coisa: "A democracia não vem de se ficar rico, é uma estrutura política que tem de vir com uma visão de como é que uma sociedade se deve manter e desenvolver". E para Weiwei há algo bastante claro: "A China nunca se vai tornar uma democracia livre, não importa quão rica for, porque nunca vai mudar a ideologia do partido único".
Estamos, portanto, entalados entre o capitalismo e a visão do mundo chinesa. Não há saída? "A China está num beco sem saída e o capitalismo também". Falta no Ocidente "uma autoconsciência clara" que é a própria essência do comportamento humano. "Temos de estar alerta e ter essa autoconsciência que vem de um julgamento moral muito básico sobre se estamos certos ou errados". O problema, diz, é que "há muito que no Ocidente falta este tipo de julgamento moral".
O olhar crítico não exclui o próprio artista. Tenta, com o seu trabalho, despertar consciências? "Não. Tento manter-me desperto a mim próprio. Basicamente, sou uma pessoa muito egoísta, só quero saber o que se está a passar, ter uma visão mais clara do tempo em que estou a viver e com quem estou a lidar. Espero que mais tarde os meus filhos possam dizer que o pai tinha razão sobre isto. Sou responsável pelos meus filhos e tenho amigos que se identificam com as minhas ideias e com quem trabalho. É isto. O resto é sorte. Teremos sorte? Não sei."
Ai Weiwei - “Vocês já estão profundamente infectados” no Público
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